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Como garantir a saúde mental durante o aprendizado contínuo?

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Checar notícias, checar as redes sociais, criar e inovar no ambiente de trabalho, estudar para as provas da pós-graduação, assistir as séries e filmes que foram lançados na semana passada, continuar acompanhando as séries antigas, começar aquele curso de um idioma novo, ler os livros que estão acumulados na estante…


É bastante provável que você tenha se identificado com muitas dessas atividades, ou com todas - e também é bem possível que você ache difícil (ou impossível) dar conta de todas elas. A Era da Informação nos transformou em “esponjas” - com o perdão da metáfora - que absorvem uma quantidade gigantesca de informações, todos os dias. Essa parece ser uma realidade cada vez mais inevitável, visto a configuração do mundo contemporâneo e do cotidiano a que cada vez mais pessoas estão submetidas, repleto de pressão para aprender e conhecer mais, produzir e criar mais, consumir, consumir e consumir mais, em um ciclo interminável.


Considerando esse contexto, criar equilíbrio entre construir mais conhecimento e manter a saúde mental pode ser um desafio. Sem dúvidas, é importante continuar aprendendo e conquistando novas habilidades ao longo da vida, visando ao aperfeiçoamento pessoal e profissional - mas como fazer isso sem prejudicar o próprio emocional? Como manter uma rotina de aprendizado contínuo em um mundo que nos pressiona diariamente e nos induz a hábitos pouco saudáveis, muitas vezes?


Neste artigo, apresentaremos alguns caminhos para que a busca pelo aprendizado contínuo não se torne um peso na rotina, e sim um hábito saudável que pode romper o paradoxo do excesso de informação. Bora lá?

“Infoxicação” e a era dos excessos

Você já ouviu falar da síndrome de FOMO?

 

Essa sigla significa “fear of missing out”, ou “medo de ficar por fora”, em tradução livre. Trata-se de um componente de ansiedade que faz com que as pessoas, bombardeadas constantemente por informação, fiquem com medo de perder alguma atualização, algum evento - sentimento normalmente atrelado às redes sociais e à necessidade - promovida pelas próprias redes, como mecanismo de manter seus usuários constantemente ativos - de estar sempre postando e verificando as postagens de outras pessoas.

 

Esse componente da ansiedade está bastante relacionado, também, ao neologismo “infoxicação”, recentemente criado pelo físico espanhol Alfons Cornellá - um misto de “informação” com “intoxicação”. Esse termo busca definir o sentimento de paralisação e estresse a que estamos diariamente submetidos, diante de um excesso de informações que o cérebro pouco consegue processar.


Para ter uma ideia mais precisa, um estudo de 2009 da Universidade de Berkeley (EUA) mostra que as pessoas passam cerca de 12 horas por dia consumindo informação, o que, segundo os cálculos feitos, é o equivalente a ler uma Bíblia inteira por semana.


Entretanto, o cérebro não tem capacidade para processar com qualidade todas essas informações. É por isso que a imensa maioria delas se perde com o tempo - e as que são retidas não necessariamente são as mais importantes, ou mais significativas.


Assim, o mecanismo de aprender com saúde mental pode começar a partir dessa reflexão. Sim, estamos submetidos a estímulos de todos os tipos, todos os dias, que podem ou não contribuir de forma significativa para nosso desenvolvimento. A partir disso, é possível fazer uma escolha: o que de fato fará essa contribuição? Quais desses estímulos posso buscar ativamente, e quais devo evitar?


Com essa reflexão norteadora, podemos passar para o próximo passo da reflexão: afinal, qual é a aprendizagem que me ajuda a crescer, e como ela pode contribuir para a minha saúde?

Ressignificando o aprendizado

O aprendizado muitas vezes está associado apenas à educação formal: graduação, pós-graduação, ou até mesmo cursos de extensão e cursos livres que gerem certificado. Entretanto, o aprendizado ao longo da vida (ou lifelong learning, como também é chamado) ajuda a revirar esse paradigma.


Estudiosos da área apontam que o aprendizado contínuo e constante pode ocorrer das mais diversas formas: por meio de estudo autônomo, por meio de novas experiências (como viajar para um novo lugar), por meio de trocas com pessoas que podem ensinar e apoiar no processo de aprendizagem, entre várias outras possibilidades.


Além disso, a organização Lifelong Learning Council Queensland (LLCQ), que apoia a promoção do conceito de lifelong learning em todo o mundo, indica que esse conceito se apoia em quatro pilares.


Aprender a conhecer

É o que pode ser chamado de "aprender a aprender". Mais do que adquirir saberes, cada pessoa deve conhecer e explorar as melhores práticas para acelerar seu auto aprendizado e desenvolver as ferramentas necessárias para se aprimorar.

 

Aprender a fazer

Trata-se da obtenção de competências específicas para a realização de novas atividades profissionais ou atividades relacionadas à vida diária. O desenvolvimento dessas competências podem acontecer em espaços de aprendizado formais ou informais, de todos os tipos.


Aprender a conviver

Aqui, o foco está nas competências sociais. A ideia é que cada pessoa desenvolva skills relacionadas à convivência com seus pares e ao trabalho colaborativo, como a empatia, a tolerância e o respeito.


Aprender a ser

A proposta aqui é que o aprendizado esteja relacionado ao desenvolvimento pessoal em um sentido mais amplo. Faz parte desse pilar o estímulo ao pensamento crítico e autônomo para que cada pessoa seja capaz de formar seus próprios juízos de valor.


Fica claro, aqui, que a ideia de aprendizagem deve ser ressignificada e reconstruída. Esses pilares também são as bases do que a UNESCO define como essencial para se pensar a educação no século XXI, que exige a mudança dos paradigmas que por tanto tempo sustentaram a educação formal e técnica como a única que desenvolve competências e habilidades necessárias.


Essa ideia vem sendo há muito tempo refutada pela própria dinâmica do mercado de trabalho, que mostra que pessoas flexíveis e dinâmicas, que têm habilidades pessoais e soft skills bem desenvolvidas, acabam por conquistar posições cada vez maiores em seus locais de trabalho. Assim, o aprendizado pode ser repensado como um processo natural e que desenvolve habilidades de todos os tipos, não apenas aquelas vendidas em cursos e livros.

 

Para João Cunha, Head de Educação do UOL EdTech, há também outra percepção que é fundamental para ressignificar esses processos de aprendizagem. “Quando alguém desenvolve o autoconhecimento e a dedicação necessários para guiar seu próprio processo de aprendizado, ao invés de ser um consumidor passivo de fórmulas de conhecimento pré-determinadas, está exercendo sua autonomia da forma mais criativa possível. Ao aprender novas habilidades, essa pessoa também desfrutará do sentimento positivo que vem com o autodesenvolvimento e o domínio de algum campo do saber e, consequentemente, se encontrará com renovado propósito na vida ao estabelecer metas para sua própria educação”, aponta ele.

 

Isso significa que, mais do que apenas seguir um conjunto de regras pré-determinadas que nos “obrigam” a continuar estudando e se atualizando, é possível virar essa chave e ver a aprendizagem continuada como um ato de libertação, de ganho de autonomia e de realização pessoal - ou seja, como um fator que contribui para a saúde mental, e não o contrário.


Entretanto, apenas virar essa chave no pensamento não é suficiente. É preciso saber como de fato colocar essa ideia em prática.

Dicas para aprender com saúde e equilíbrio

A aprendizagem contínua pode - e deve - ser ressignificada para que não seja colocada no mesmo “saco” em que colocamos as informações que nos cansam e fazem mal.

 

Entretanto, fazer isso não é necessariamente uma tarefa simples. Em meio a tantos afazeres, agendas lotadas de compromissos e reuniões, encontrar um espaço para simplesmente investir no próprio desenvolvimento pode ser um desafio. Entretanto, ele não é tão complicado quanto pode parecer.

 

Abaixo, separamos quatro dicas simples que podem ajudar você a incorporar o aprendizado contínuo na rotina de forma saudável e que realmente faça sentido para você.

 

Crie seu próprio filtro: aprenda a separar “o joio do trigo”

Lembra da “infoxicação”? Como vimos, aquela Bíblia de informações semanal à qual estamos submetidos vem quase sempre repleta de informações pouco importantes, que são pouco retidas pelo cérebro. Nesse primeiro passo, a dica é simples: aprenda a separar o que realmente importa, ou como diz o ditado, “separar o joio do trigo”.

 

Isso significa, naturalmente, fazer escolhas. É possível, dentro desse oceano infindável de estímulos e dados, escolher quais deles você realmente quer consumir, quais deles passarão pelo crivo implacável do seu cérebro. Não se trata de parar de acompanhar o noticiário, as redes sociais, ou outras mídias quaisquer, mas sim de escolher melhor os momentos em que essas informações serão acessadas, e de escolher também quais dessas mídias realmente fazem bem para você e contribuem para o seu desenvolvimento enquanto pessoa.

 

Essa não é uma tarefa fácil, mas pode se beneficiar muito de um acompanhamento psicológico profissional, já que a infoxicação e os excessos já são considerados males do século XXI. Aprender a fazer essas escolhas, embora seja um processo não tão curto, pode ser a saída para dar aquele alívio mental e psicológico tão necessário, e para abrir cada vez mais espaço no cérebro para o que realmente importa.

 

Vá atrás do que você realmente gosta

Se a ideia é fazer com que a aprendizagem faça sentido, e que não se torne mais um momento de transtorno e cansaço na rotina da semana, a solução é simples: estude o que você gosta. Não há segredo. Pouco adianta concentrar esforços e queimar neurônios tentando aprender o que não traz prazer, o que não faz sentido, o que não é interessante para você.
Isso se aplica não apenas aos conteúdos aprendidos, mas também à forma como eles são aprendidos. As pessoas aprendem de formas diferentes e em ritmos diferentes: se você é uma pessoa que não gosta dos métodos da educação formal e não consegue se engajar em um curso estruturado por meio de provas, por exemplo, não faz nenhum sentido insistir neles. Por outro lado, se você é uma pessoa que aprende muito mais a partir de diálogos, redes de troca de conhecimentos ou experiências diferentes, por que não investir mais e mais neles?

 

Antes de partir para a próxima dica, vale enfatizar que a aprendizagem não precisa estar necessariamente relacionada a habilidades estritamente profissionais - pelo contrário. Criar o hábito de ser um aprendiz contínuo pode se beneficiar muito da realização de projetos pessoais - como o sonho de aprender a desenhar, ou de aprender a falar um idioma diferente, por exemplo.

 

Reduza a pressão: aprenda no seu ritmo

Desenvolver a habilidade de aprender melhor é, literalmente, criar um hábito. Os hábitos não surgem sozinhos, espontaneamente, e requerem um comprometimento para que se consolidem e se tornem mais “naturais” na rotina.
Para Alex Bretas, especialista em lifelong learning e aprendizagem autodirigida, o início de criação desse hábito “é igual a quando vamos começar a malhar na academia: a princípio, a gente sente dores em lugares que nem sabíamos que existiam. Isso faz com que demoremos para criar um hábito, uma rotina”.


A saída é entender que esse processo pode ser fatiado em pedaços menores. “O equilíbrio é fundamental. Ele está em entender que não é necessário fazer tudo de uma vez, que é possível, por outro lado, separar um tempo frequente, de qualidade, para se dedicar ao projeto. A evolução pode sim ser devagar”, pontua Alex.

 

Assim, ao contrário de se sobrecarregar com metas muito ambiciosas e que vão requerer tempo em excesso da rotina, é fundamental que cada um saiba estipular qual vai ser o tempo que será reservado, na semana, para focar na aprendizagem escolhida. “Pode ser um momento diário, semanal, quinzenal; cada um pode escolher quais serão esses espaços, independentemente de a aprendizagem estar vinculada ou não a um curso. Muitas vezes esse é o principal problema para as pessoas, porque falta tempo, porque não estamos acostumados.”

 

Compartilhe o seu aprendizado

A última dica deste artigo é um grande diferencial em relação ao que normalmente entendemos como aprendizagem. Como a busca por educação é muitas vezes uma ação individual, a ideia de compartilhar o que foi aprendido nem sempre faz tanto sentido logo de cara.

 

Entretanto, para Alex Bretas, o compartilhamento é essencial na busca por se tornar um lifelong learner, principalmente porque é um hábito que contribui e muito na aprendizagem durante a vida adulta. Ele indica que o ato de compartilhar pode ocorrer de inúmeras formas: em conversas com familiares e amigos, nas redes sociais, em redes de troca de conhecimentos, em momentos de troca dentro da empresa, etc.

 

Segundo ele, há alguns benefícios bastante evidentes desse hábito, como:

Consolidação do que foi aprendido

Ao compartilhar novos conhecimentos adquiridos, somos obrigados a organizá-los em nossa cabeça. Ao longo da exposição, também podemos verificar quais pontos estão mais consolidados, quais precisamos revisitar para entender melhor, entre outras questões. Além disso, expor nos ajuda a ter insights novos sobre o que foi aprendido.

 

Outras pessoas ajudam a retroalimentar o conhecimento

Submeter esses novos aprendizados à apreciação de outras pessoas as incita a nos dar feedbacks, que são grandes aliados do processo de aprendizado contínuo. Além disso, essas pessoas também podem conceder novas referências, novos insights e mais material para reflexão.

 

Destaque individual e criação de comunidades de troca

Compartilhar conhecimento, inevitavelmente, colocará você em uma posição de destaque diante de outras pessoas. Isso ajuda também a criar comunidades de troca com interesses em comum.

 

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