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Como a era da simultaneidade e complexidade impacta a relação do profissional com o conhecimento? - UOL EdTech

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O processo de construção de conhecimento desenvolvido e instaurado em nossa sociedade nas últimas décadas nos apresentou uma visão fragmentada, dualista e reducionista do conhecimento, do homem e do mundo.


Essa lógica, fundamentalmente racional, que nega a subjetividade e separa o corpo da mente, está inscrita culturalmente em nossa sociedade e trouxe consigo a ideia da polarização, do “ou”. Seguindo esta ideia de que somos exatas ou humanas, competentes ou incompetentes, tristes ou felizes.


Essa forma de ver o mundo apresenta e impõe uma totalidade, uma completude, uma resposta única, é simplificadora, reducionista, consequentemente, traz a sensação de ordem e dá explicações. Esses fatores tranquilizam o Homem e talvez, seja esse o motivo que permitiu com que essa forma de pensar se mantivesse presente na sociedade até os dias de hoje.

 

Entretanto, não somos “isso ou aquilo”. Somos “isso e aquilo”. Pensamentos simplificadores e binários não respondem mais as necessidades do mundo que conhecemos. Os desafios que a sociedade atual apresenta, nos obrigam a ter um novo olhar e nos impõe o exercício de um novo pensamento, para que sejamos capazes de enfrentar a complexidade real da vida simultânea que vivemos atualmente. Somos simultâneos, estamos submersos na superabundância de informações e na dificuldade de contextualizá-las, organizá-las e compreendê-las (Morin, 2013).


Em um mundo inundado de informações irrelevantes, clareza é poder (Yuval Noah Harari, 2018). As incertezas e contradições do mundo hoje, nos levam ao reconhecimento de que a busca por um novo modelo é fundamental, algo que atenda não somente as necessidades, mas as vontades e interesses pelo novo que nos é apresentado todos os dias. Precisamos religar o que foi desconectado no passado.


A complexidade ou pensamento complexo não são o oposto de pensamento simples. O pensamento simples busca a completude, a resposta única, a solução definitiva, enquanto o pensamento complexo busca articulações, é parte de um processo contínuo, inacabado, inconcluso, é multidisciplinar.


Como isso tudo está conectado ao novo profissional e ao mundo do trabalho nas organizações? O mercado de trabalho, fortemente impactado por todas essas mudanças, está cada vez mais dinâmico e exigente, procura por profissionais que enxerguem a organização em toda sua amplitude.


Ter visão sistêmica, conhecer todo o processo onde se está inserido, ter facilidade para se adaptar as novas situações, cenários e momentos de mudança, são as qualificações mínimas exigidas pelo mercado e ser especialista em uma única área do trabalho não é mais suficiente para responder à tais demandas.

 

Precisamos nos permitir fazer conexões, ligar e religar, aprender, desaprender e reaprender.


Ser capaz de comunicar tudo com todos é condição fundamental para o desenvolvimento do profissional com alta capacidade interpretativa e crítica, competências tão necessárias no contexto do mundo de hoje.

 

Isso dito, fica a pergunta: Como as empresas estão recebendo e apoiando a formação desse profissional multicompetente e complexo?


Sabemos que ao mudar a nossa relação com o conhecimento também mudamos à nossa forma de pensar e agir, mas como as empresas estão promovendo o compartilhamento de conhecimento? De que forma as organizações tem promovido e dado espaço para que seus colaboradores façam as conexões tão importantes para seu desenvolvimento e melhor desempenho de suas funções? Como os líderes têm apoiado o processo de desenvolvimento de suas equipes e como eles próprios tem se desenvolvido?


Muitos são os movimentos e possibilidades que apoiam e buscam promover ações efetivas no processo de desenvolvimento dentro das organizações, todos com objetivo de apoiar a formação do homem total, do articulador de conhecimentos e ações, do profissional complexo e simultâneo. Entender e medir os resultados de tais movimentos corporativos ainda são um desafio, mas esse tema abordarei em outro artigo sobre resultados das ações de desenvolvimento.


Minhas reflexões e provocações me levam mais a uma inquietação do que efetivamente a uma conclusão ou a um caminho único, isso é complexidade, isso é pensamento crítico, inconcluso e ao mesmo tempo transformador por natureza.

 

Em março o UOL EdTech está promovendo o mês da Tecnologia e Inovação. Complexidade é o primeiro artigo sobre o tema e pode ser encontrado no Catálogo Sapiência – Fast & Agile.

Sílvia Armada é Gerente Geral de EdCorp no UOL EdTech.